quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sou dependente

A rigor, qualquer um é, e segundo a linha de pensamento aqui desenvolvida, possivelmente não há excluídos da dependência da qual falo. Na minha singularidade pode implicar o acontecimento de um contraditório, talvez um paradoxo. Reafirmo que sou dependente, e não me vejo como um radical em nenhum sentido.

Lá na juventude andei fazendo pose com alguns cigarros. Muito poucos, fumados e não tragados se isso é lá possível, no meio de um grupo de pessoas, necessariamente diante de mulheres. Motivos? que se ocupe das explicações a psicanálise. Naqueles tempos, assim como outros rapazes o fazia, andei pensando que manipular cigarros e fazer com eles alguns gestos medidos rendiam pose e algum charme. Dois fatos, porém, vividos com uma mesma pessoa levaram-me a ser um não fumante convicto: um beijo de língua numa garota linda que tinha cheiro e gosto de cigarro; e o que ela me disse pouco depois: que ela não podia viver sem cigarros. Achei então que ela podia viver sem mim, e que eu poderia viver sem ambos, ela e o cigarro.

Houve um tempo em que havia enormes “filas do feijão”, alongadas por momentâneas escassezes desse grão vegetal. Nunca entrei numa fila dessas, mas conversei com pessoas que reclamavam muito por terem passado incontáveis horas em várias filas para comprar feijão, e diziam essas pessoas que não podiam viver sem feijão. Hoje, faço e me farto com uma boa feijoada, e se estiver diante de um feijão comum bem preparado, repito o prato. No entanto, passo dias – e sei que posso passar meses ou anos – sem comer feijão.

Quando vim morar aqui no oeste do Paraná, logo me vi incluso em falantes “rodas de chimarrão”. Se me lembro bem, em quase todas elas, entre tantos assuntos fascinantes sobre os quais se poderia falar, dois eram reiterantes: falar mal da vida das pessoas ausentes da “roda do mate”; e que não se podia viver sem o chimarrão nosso de cada dia; e umas pessoas diziam ter dor de cabeça ou algum mal estar ao se absterem dessa erva. Hoje, quando e se quero, aprecio e gozo o prazer dado por um chimarrão quente, amargo e bem servido, e não esquento a cabeça com o que poderiam estar dizendo de mim todas as vezes que estou fora das rodas de chimarrão.

Sou mais ou menos livre de algumas, ou, de muitas coisas, mas, reconheço-me um dependente. E falo disso em outro momento.

2 comentários:

Ju disse...

gostei da reflexão... fiquei a pensar nas minhas "dependências". e adorei a história da garota e dos cigarrros, rsrs!
beijos!

Betty Branco Martins disse...

.querido Efvilha





todos nós somos dependentes de um_________Q



admirei a reflexão









beijO_____C_____carinhO